Tristeza e Decepção Sofrimento e Tristeza

Tristeza e decepção

Cansado de chorar pelas estradas, Exausto de pisar mágoas pisadas, Hoje eu carrego a cruz das minhas dores.

Mãe, desculpa por ter te magoado. Sei que espera que eu seja a filha perfeita e eu te machuco quando não correspondo às suas expectativas. Mas eu te amo demais. E eu me esforço muito pra senhora ter orgulho de mim. Por favor, me perdoa, mãe!

Nossos filhos nos magoam e a gente os perdoa mesmo sem que eles saibam que nos magoaram.

Antigamente, quando ficava triste, eu queria que a alegria viesse em meu socorro em minutos, como se ela fosse a próxima estação do metrô. Não queria atravessar ruas desertas, pontes frágeis, transversais melancólicas, não queria percorrer um trajeto longo até conquistar um estado de espírito melhor. Queria transformação imediata: da estação Tristeza para a estação Hip-Hip-Hurra, sem escala e sem demora. Eu era ingênua em acreditar que poderia governar meus sentimentos. Como se fosse possível passar por estações deprimentes sem as ver, deixá-las para sempre presas no underground e saltando nas estações que interessam: Euforia, Segurança, Indepêndencia. Os pontos turísticos mais procurados. Viver é uma caminhada e tanto, não tem essa colher de chá de selecionar onde descer. É preciso passar por tudo: pelo desânimo, pela desesperança, pela sensação de fracasso e fraqueza, até que a gente consiga chegar a uma praça arborizada onde iniciam outras dezenas de ruas, outras tantas passagens, e a gente segue caminhando, segue caminhando. Locomover-se desse jeito é cansativo e lento, mas sei que não existe outra maneira consciente de avançar. Metrôs oferecem idas e vindas às cegas. Mantém nossas evoluções escondidas no subterrâneo. A gente não consegue enxergar o que há entre um desgosto e um perdão, entre uma mágoa e uma gargalhada, entre o que a gente era e o que a gente virou. Não tem sido fácil, mas sinto orgulho por ter aprendido a atravessar, em plena luz do dia, o que em mim é sombrio e intricado. Não me economizo mais. Me gasto.

Alô, liberdade. Desculpa eu vir assim sem avisar, mas já era tarde. Eu tenho tanta alegria, adiada, abafada, quem dera gritar. E por fugir ao contrário, sinto-me duas vezes mais veloz Vem, mas vem sem fantasia. É sempre bom lembrar que um copo vazio esta cheio de ar.

O amor nasce de pequenas coisas, vive delas e por elas às vezes morre.

As pequenas mentiras fazem o grande mentiroso.

Decepção não mata, ajuda a viver.

Tenho deixado pelo chão muitas sementes de mim e colhido pouco do que brotou de outras pessoas, porque sei que a cada mudança de estação sou mais o que doei do que aquilo que recebi, sem esperar por gratidão.

" Se meu coração falasse, ele perguntaria; Será que vamos aguentar tanta tristeza de decepções???